A luz é o substrato que dá vida e cor: de forma objetiva, garante a sobrevivência e a coloração das plantas, e assim de todo o ecossistema; de forma subjetiva, é graças à luz que enxergamos e transformamos o mundo como tal ao nosso redor. Um raio de sol é um interstício, um vão que se abre para permitir novas ideias e um novo olhar.

É a isso que se propõe a exposição Iluminarte Jardins: ser um flash de luz capaz de criar um espaço e um momento novos. Ao trazer a natureza em forma de arte para dentro do CJ Shops, um espaço repleto de luz natural no coração da maior metrópole da América do Sul, Iluminarte Jardins propõe ser uma fresta de luz para a contemplação de um outro presente, no qual podemos escolher envolver-nos ou simplesmente deixar-nos levar.

Cinco obras de artistas brasileiros criadas especialmente para esta exposição nos reconectam à natureza por meio de diferentes experiências cinéticas e imersivas. Cada uma depende da luminosidade para existir: seja a luz projetada pelas obras de arte e que se baseiam no domínio da tecnologia, seja a iluminação natural que revela detalhes invisíveis na escuridão. Ora o espectador é um observador, ora torna-se ele mesmo obra de arte. Assim, é possível sentir-se inserido em um novo universo, onde os elementos se reorganizam e fazem sentido de outra forma, da forma como queremos ou precisamos.

Mediante a projeção de luzes envolvendo tecnologias recentes (LED) ou velhas conhecidas (néon), a partir do reflexo da luz natural em placas espelhadas ou pela forma como as tintas de um painel absorvem e se deixam transformar por esta luminosidade, Iluminarte Jardins provoca o redirecionamento do olhar e, consequentemente, do pensamento. Aqui se torna possível pensar a natureza a partir da cidade, e o natural a partir do artificial.

Iluminarte Jardins convida a iluminar ideias para um novo caminho para o futuro. Faça-se luz!

ARTISTAS E OBRAS

Paulo von Poser

Professor de Arquitetura e artista, Paulo von Poser incorpora ambos os elementos em sua relação com a cidade. Um terceiro integrante fundamental para o artista é a natureza, que inspira suas obras e seu modo de vida – não à toa, é conhecido como “o artista das rosas”.  Como artista, Paulo é afeito à vibração das cores, que se refletem gestualmente em suas obras. Como professor, sua sala de aula é a cidade, espaço que frequentemente percorre com seus alunos.
Paulo já participou de inúmeras exposições e suas obras integram acervos de museus e coleções privadas.

Siga Paulo von Poser no Instagram: @paulovonposer

Saudades do Trianon
Mata Atlântica Remanescente

Entre reminiscências e remanecências, o painel pintado por Paulo von Poser tem como inspiração o Parque Trianon, último resquício de Mata Atlântica na cidade de São Paulo, a poucas quadras do CJ Shops. O parque remete à infância do artista e à sensação de se esconder e se encontrar em meio à natureza, que, a cada olhar, revela um novo segredo. Assim também é a obra Saudades do Trianon – Mata Atlântica Remanescente, finalizada no espaço que ocupa, de forma que a luz natural desempenha um papel decisivo em sua forma definitiva. Da mesma maneira, a pintura se transforma de acordo com o momento do dia e novos detalhes se revelarão a cada olhar do espectador.

O tempo e o respirar da natureza podem ser sentidos por meio da vibração cromática da obra, emulando a sensação que temos ao entrar em um parque onde vivem seres antigos como as árvores da Mata Atlântica em meio à caótica metrópole. Para ser observado em sua totalidade, o painel de quase 11 metros de altura pode ser observado como um grande tronco de árvore em toda a sua complexidade e tridimensionalidade.

Rizza

Trabalhando na intersecção entre arte e ciência, Rizza aprofunda-se no invisível por meio de disciplinas antigas, como a geometria sagrada, as relações energéticas, a cosmologia e os sistemas de formação da natureza para criar obras verdadeiramente contemporâneas. Por meio de diversas linguagens, a artista acredita que cada objeto emite uma vibração capaz de transformar o ambiente e as pessoas ao redor. Apoiada por pesquisas que remontam às nossas origens – ou até a tempos anteriores a elas – Rizza utiliza a tecnologia para projetar obras que preenchem o vazio com sensações provocadas pelo domínio da luz, da cor e do som.

Siga Rizza no Instagram: @rizza.art

Encantamento

Encantamento é inspirada em uma pesquisa que revela que a atração do olhar humano pelo brilho tem como razão um instinto muito mais fundamental do que imaginamos: a água. Nosso olho acredita que onde há brilho, há a possibilidade de satisfazermos a necessidade básica da sede. É natural, portanto, que sejamos imediatamente atraídos por um enorme cubo de 1,80 x 1,80 m contendo 160 placas de espelho.

Deixando de lado os mitos narcísicos geralmente atrelados ao espelho, Encantamento é uma obra viva. Aqui, nosso próprio reflexo deixa de ser o principal objetivo do conjunto de espelhos e passamos, em vez disto, a compor a obra. Nos igualamos, assim, às luzes naturais e artificiais do ambiente e aos objetos ao redor. A cada ângulo e a cada minuto, Encantamento será uma obra diferente e despertará uma sensação distinta.

Leandro Lima

Interessado no embate entre o natural e o artificial, Leandro Lima utiliza a tecnologia para investigar e dominar a natureza. Partindo de um conceito ou da multitude de possibilidades que se revelam com diferentes artifícios tecnológicos nas mãos (ou no computador), o artista faz com que o mecânico se transforme em orgânico, mas também com que o orgânico se transforme em mecânico. Leandro tem em seu currículo exposições individuais e coletivas, dentro e fora do país.

Siga Leandro Lima no Instagram: @leandro_n.lima

Futuro do Pretérito

Pássaros que deixam rastros marcando o passado no presente atravessam 20 painéis de LED integrados à paisagem urbana. Futuro do Pretérito é uma obra fundamentada na ideia de que um futuro inspirado em um passado natural é necessário. Assim como utiliza de recursos tecnológicos, a obra também tira vantagem do lado analógico dos painéis que, com seu preto absoluto, simulam o vazio para que os pássaros voem livremente.

Ao espectador, cabe ser um observador de pássaros iluminando a metrópole. Embora baseado em imagens de voos de pássaros verdadeiros, Futuro do Pretérito extrapola as cores dos rastros para que o artificial não se confunda com o real e para que lembremos que não podemos contar apenas com a tecnologia para salvar a continuidade da natureza: isto depende mais de como agiremos daqui para frente.

Alê Jordão

Explorando a intersecção entre arte e design, Alê Jordão utiliza frequentemente o neon para materializar seus objetos-arte. Ora criando esculturas iluminadas, ora escrevendo frases com letras que remetem a um passado não muito distante, Alê apoia-se na tecnologia e no design para criar peças esteticamente atraentes com uma mensagem que ultrapassa sua aparência. O artista já realizou exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.

Siga Alê Jordão no Instagram: @alejordao_art

Natural Light

A cascata de neon remete à natureza brasileira, como as cachoeiras e a vegetação tropical. A chuva, componente fundamental da floresta tropical, mas também da terra da garoa, está simbolizada nas 20 gotículas em forma de globo e nos símbolos dentro delas que confundem os sentidos e se desmancham no olhar. Em outra camada, uma mensagem aparece clara: em um graffiti de neon pink, se lê REVERDE, uma poesia concreta sobre a natureza que resulta em trocadilhos instigantes e que, dependendo de como se lê, pode ser também um palíndromo.  

A luz atrai o olhar para todos estes componentes de Natural Light, que se confundem em um design mesclando a bidimensão com a tridimensionalidade. Todas as partes juntas não deixam dúvida: mesmo com tantos elementos artificiais, estamos falando de natureza.

Rejane Cantoni

Desde o passado, Rejane Cantoni tem como objeto de pesquisa o futuro. Bem antes de os NFTs figurarem como o principal assunto no mercado de arte em 2021, a artista já vinha pesquisando os revolucionários e controversos Non-Fungible Tokens (Tokens Não-Fungíveis, ou seja, unidades de dado criptografados insubstituíveis armazenados no blockchain. Geralmente, estes bens são comprados utilizando-se criptomoedas, como a bitcoin. Atualmente, há obras de arte em NFT que valem milhões de dólares). Com inúmeras exposições em seu currículo e obras em acervos, Rejane é uma futurista interessada na intersecção entre arte, ciência em tecnologia. Diante do envolvimento com áreas que pressupõem tanta inovação, a artista não deixa de ser crítica e busca tratar a tecnologia com ética, questionando os caminhos para onde nossas decisões estão nos levando.

Siga Rejane Cantoni no Instagram: @rejanecantoni

Floras

Um jardim virtual, uma instalação imersiva ou um jogo? Floras incorpora as três coisas ao mesmo tempo. Nesta obra apresentada por Rejane Cantoni, 50 animações geradas por uma combinação de processos analógicos e digitais se transformam pelas mãos do espectador. Cada bloco é um NFT único e exclusivo que pode ser receber um lance que, após ser interpretado, gera um novo building block. Tal qual um jardim real que ganha uma nova espécie, o jardim todo se transforma.

Assim como um jardim tem como fonte de vida a luz e a interação entre espécies, estas flores digitais também têm como ponto de partida a luz – digital – e dialogam entre si, em constante desenvolvimento. Floras tem sua própria evolução, eventualmente tornando-se independente até mesmo da artista que a criou. Também como um jardim real, Floras tem seu ciclo de vida: se transforma e sofre constantes evoluções até que o último NFT seja gerado, completando a
obra por fim.

FICHA TECNICA:

Direção artística: Fernanda Ingletto Vidigal

Produção executiva: AYO Cultural | Gabriel Pires de Camargo Curti e Julia Brandão

Artistas:
Alê Jordão
Leandro Lima
Paulo von Poser
Rejane Cantoni
Rizza

Coordenação técnica: Sergio Santos

Comunicação Visual: Pandoala estúdio | Tissa Kimoto

Arquitetura: Estúdio GRU | Jeanine Menezes e Lia G. Untem

Desenvolvimento de textos: Luiza Testa

Revisão de texto: Cícero Oliveira

Montagem em altura: Lee Office

Montagem obras: Andrey Feixas, Felipe Soranz, Paulo Sérgio Paulino, Alexandro da Costa Alves, Gil Honorato, Patricia Jordão e Victor Pecora Gomes

Audiovisual: Images

Instalações elétricas: MMV

Cenografia: Artos e Baldoino

Impressões: Alphagraphics Pinheiros